terça-feira, janeiro 17, 2017

O importante é SER

Descoberta em Itau de Minas:

O importante é SER - Serviços Especializados em Refratários.

sábado, janeiro 14, 2017

Águas de São Pedro


Como já havia pago a última pousada e estava morrendo de saudades do grupo, fui para Águas de São Pedro espera-los na Casa de Santiago.
Acordei 4 da manhã, além de colocar muitas coisas na mochila no dia da saída (hoje tinham remédios, coisas para os curativos do pulso e protetor solar fator 70), precisava preparar meu café. Meu café da manhã foi e geralmente é simples: um copo de leite frio, 5 bolachas de maisena hoje com purê de maçã (lembra do Apfelmuss? Acabou hoje.) e uma banana. Logo que entro na cozinha começo o dia tomando remédio e colocando água e pó na cafeteira. Quando acordo primeiro faço meio litro de café para meus pais tomarem, eu não bebo nada. Hoje tinha sobra do suco natural de ontem: abacaxi, hortelã e limão.
Meu pai me levou ao metro, tomei ônibus às 6h30. 9h20 o grupo se perde numa colina e pede socorro pelo Whatsapp. Nessa hora acabo de desembarcar em Águas de São Pedro e sugiro procurar rota para a cidade no Google Maps. Felizmente quem os ajudou mesmo foi Palma.
10h chego no horto Casa de Santiago e não encontro ninguém. Abri o portão, entrei com os visitantes, vasculhei o parque e o altar com Santiago e São Francisco. Minha ideia era esperar o grupo, mas Palma sugeriu encontra-los no caminho e James, voluntário desde novembro de 2015, me levou de carro até os pinheiros próximos da fazenda São Jorge. Encontrei o grupo e caminhamos juntos os últimos 4Km. Eles já haviam comido frutas e tonado suco na Nuvem que os voluntários fizeram alguns quilômetros antes. Eu passei na rodoviária com James e lanchei uma esfiha e uma paçoquinha. Nesses 4 Km soube que eles começaram a caminhar 7h45. Precisaram esperar pra sair porque precisa tomar uma balsa para atravessar o rio. Sair com o sol já “alto” castiga o peregrino.
Osvaldo estava louco para encontrar Delícias do Milho, a lanchonete de beira de estrada que também carimba o passaporte. Provei um pedaço da pamonha que ele e Guerino pediram, provei suco de milho da Silvana, tomei uma Sukita laranja de canudinho. Enquanto caminho não tenho fome, tenho sede. Depois de Delícias do Milho Osvaldo e Guerino passaram a andar mais na frente, depois eu e Silvana, por último Edward. Ele foi o ultimo a chegar no altar da Casa de Santiago, onde Palma fez a cerimonia de entrega da Aris Solaris. Edward demorou a chegar porque esqueceu o celular no caminho e precisou voltar para buscar.
A cerimônia de entrega da carta atestando a conclusão do Caminho do Sol é um grande momento de alegria. Palma explica cada elemento da carta, e no final você escolhe quem a entrega para você. No meu momento expectadora, surpreendentemente entreguei a Aris Solaris para Edward. Como se não bastasse isso, por percorrer o caminho 5 dias com os pés e os outros 7 com o coração, recebi minha Aris Solaris de Silvana.
No meu depoimento falei que aprendi a ler mais os sinais do mundo, e agradeci a companhia da turma, que foi muito, muito boa. O engraçado é que era a única no início certa que terminaria o caminho e completei os últimos sete dias com a emoção, não com os pés.
Foi bom tomar uns tombos, na próxima jornada estarei mais bem preparada. Hoje já usei camiseta de manga comprida com FPS 50, chapéu de poliamida e protetor solar 70 no rosto, pernas e mãos. Ano que vem saio de Elias Fausto e concluo de fato o caminho. Conhecerei outras pessoas, viverei outra aventura. Preciso passar pelo Caminho do Sol dessa forma, não da que planejei anos atrás. Essa é a grande marca que levo do caminho.
Garanto desde agora: quando voltar ao Caminho do Sol, mais abobrinhas brotarão no meu sitio virtual.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

São Paulo


As bolhas de ontem eram queimaduras de terceiro grau. Depois da missa em Elias Fausto fui ao pronto socorro da cidade e descobri. Uma semana de curativos 3 vezes ao dia devem resolver. O meu erro: protetor fator 30 para caminhar sob sol por 3 a 6 horas. O mínimo para esse caso seria fator 70.
Faltou camiseta de manga comprida com proteção solar, faltou mais preparo físico para caminhar mais depressa e ficar menos tempo sob o sol escaldante do verão. Não posso continuar, não conseguirei andar enfaixada nas árduas condições do caminho, mesmo já tendo cumprido o dia de percurso mais longo. Hoje seria dia de chegar na metade do caminho, desisti antes. De manhã eles partiram rumo a Capivari, eu fui rumo ao pronto socorro fazer mais um curativo e voltar pra São Paulo de onibus.
Porém foram as melhores férias que já tive. Parecia que vivia numa bolha onde só importava chegar inteira em outro lugar. Então tomar banho, lavar roupa, comer, e passar o resto do dia descansando e jogando conversa fora pra no dia seguinte acordar o mais cedo possível, fazer um senhor alongamento, tomar café (posso tomar um copo de leite frio?) e apreciar a natureza ao redor , cumprimentar quem cruzava nosso caminho, dizer até onde vamos a pé... Fui até Elias Fausto para ser abençoada.
Abençoada em conhecer um grupo de quatro malucos que tem tudo pra concluir a jornada em Águas de São Pedro. Se todos os malucos fossem da categoria de nós cinco, o mundo seria um lugar bem melhor. O que cada um vai ou precisa aprender, não faço ideia. Aprendi a ter mais calma, não desconfiar nem esperar que o futuro chegue logo. Confiar na providência divina depois de fazer minha parte. Não tem nada errado, tudo acontece quando precisa acontecer. E eu preciso cuidar dos meus braços pra poder abraçar o mundo e dizer que ele é bão, Sebastião.
Algum dia ainda entenderei como no Caminho do Sol me sentia totalmente recuperada e pronta para um novo dia depois de quatro horas de sono. Quem sabe outro ano complete o caminho pela mesma sede de aventura solidária que me impulsionou nesses cinco dias. Quem sabe encontre motivos mais nobres, urgentes, filosóficos, existenciais, esotéricos...
Enfim, a valente e destemida Tartaruga Touche ainda não está pronta para cruzar o oceano e aventurar-se em solo estrangeiro. Hora de remendar a carcaça com pulsos firmes.

domingo, janeiro 08, 2017

Elias Fausto


Hoje o dia prometia ser hiper tranquilo: 14 Km de planície, caminho praticamente reto, sem nenhum desvio.
O lado negativo era que descobri que o que achava que era uma unha comprida demais me incomodando no pé direito revelou-se uma bolha no dedo anelar do pé. Ontem comprei e usei hidratante com Aloe Vera nas partes queimadas de sol: braços, atrás dos joelhos, início do pescoço e da nuca (formando as marcas das golas das camisetas), e orelhas. Porém hoje cedo ganhei dois conjuntos de bolhas nos pulsos. Solução: protetor solar em abundância nas áreas mais vermelhas.
Porém ontem um amigo do Osvaldo foi buscar algumas coisas que ele queria mandar pra casa. Ele ofereceu esse “serviço de envio” para quem mais se interessasse e aceitei o favor embalando meu casaco corta vento e minha blusa fleece. Essas coisas só ocupam espaço na mochila de quem caminha no verão. Hoje de manhã Osvaldo disse que seu amigo nos encontraria na pousada seguinte para conhecer a turma, porque chegou muito tarde. Então perguntou se alguém queria que a mochila fosse levada para a próxima pousada. Pensei um pouco e aceitei, seria bom levar só os 2 Kg do meu cantil como bolsa, fora do meu pescoço. Pra completar o dia de princesa, Guerino teve pena das minhas bolhas nos pulsos e me emprestou uma de suas blusas de manga comprida que protegem do sol, e mantém um pouco da umidade do suor, deixando uma sensação fresca e possibilitando que se caminhe mais confortavelmente, quiçá até mais rápido.
Saí 6h30 e cheguei 9h30, fui a terceira do grupo a chegar. Osvaldo me alcançou depois de 1 hora de caminhada. Quando a tartaruga tira o casco rosa - juro que prefiro laranja, mas só tinha essa cor quando comprei - consegue até reparar que tem fazenda de parreira no caminho.
Foram 14 Km de um passeio no parque. Quando chegou o asfalto, parecendo um tapete, desfilei usando blusa branca combinando com o boné, shorts de pescaria, cantil e cajado, que conversavam com a última tendência de moda que é bota preta de cano baixo estrategicamente coberta de terra e meia coolmax cinza até o meio da canela. Tudo porque ontem comentei que comecei a repetir roupa. Quer coisa mais deselegante numa viagem tão chique quanto o Caminho do Sol?
Amanhã serão 21 Km até Capivari.