domingo, janeiro 20, 2013

São Paulo é um amor

Não trocaria meu monstrinho de concreto
aqui fui plantada, aqui vegeto
acolhe todos e expulsa ao mesmo tempo
nessa contradição podemos supor
que São Paulo é um amor

Avenida Paulista parece sonho
grande, imponente
empipocada de gente diferente
acolhe quem passa, não quem pára
porque quem pára repara
que tudo aquilo não é pra todo dia
não é pra todo mundo
ali a vida é bacana pra quem tem grana
sim, há lugares onde não pagamos um tostão
são poucos, são exceção
porque o monstrinho é contradição
nisso podemos supor
que São Paulo é um amor

O velho centro sempre sombrio
de ruas tortuosamente estreitas
de calçadas a todo tempo sendo refeitas
esconde lugares mais em conta
expõe histórias que ninguém conta
a gente torce o nariz, acha estranho
tudo que o lugar precisa é um bom banho
talvez essa sujeira seja proposital
pra limpar o lugar quando a semana chega ao final
pra ninguém supor
que aquilo vira cidadezinha do interior
por dois dias muda-se o valor
e São Paulo vira um amor

A periferia se esguela
entre cortiços, bairros calmos e favela
abriga todo tipo de sonho:
riqueza, paz de espírito, realização
gente que vive no céu, outros só olham pro chão
quem faz a cidade de verdade
ser nosso monstrinho concreto de contradição
quem sofre e briga todo dia peo próprio pão
essa gente muda, que se desculpa quando mal se esbarra na calçada
e briga feito cachorro ás seis horas numa auto pista apinada
gente amada e condenada
pela contraditória cidade estrada.



P.S.: Poesia escrita aos 15 anos, quando descobria a cidade.