quinta-feira, junho 29, 2006

SOBRE VAIDADE

Quando criança acreditava que as mulheres se maquiavam porque achavam divertido.

Cresci um pouco e precisavam mandar-me passar batom quando a família saía no fim de semana. Por teimosia eu passava bem fraquinho, não tinha a menor graça usar maquiagem nessas horas. Só alguns fins de semana me pintava pra ver no espelho algo completamente diferente da minha cara. Nesses finais de semana pintar o rosto era divertido, por isso pensava que as mulheres se maquiavam por diversão.

Na escola aprendi que a maquiagem surgiu por necessidade. Os egípcios pintavam os olhos para protege-los do sol, e usavam perucas pelo mesmo motivo.

Demorei pra descobrir que as pessoas se maqueiam porque se acham feias. Não é estranho? Ser vaidoso é achar-se feio. Encontrar algo feio no próprio corpo e querer modificá-lo. No fundo, os vaidosos são infelizes.

domingo, junho 25, 2006

CORREÇÃO

Todos nuetros hermanos hispanoamericanos cantan su hino nacional.
Todos nossos irmãos hispanoamericanos cantam seu hino nacional.

El hino argentino tiene letra.
O hino argentino tem letra.

Puede ser que en el hino español no haya letra, no estou segura.
Pode ser que no hino espanho não tenha letra, não tenho certeza.

Pero el hino argentino tiene letra. Y no voy a escribirla.
Mas o hino argentino tem letra. E não vou escrever-la.

quarta-feira, maio 31, 2006

SOBRE A NOVA MÁSCARA

Passei meia semana preocupada com meu rosto. Não é de hoje que estranho meu espelho. Esses olhos encovados, quase nenhum cílio nas pálpebras inferiores, uma cara apagada... Morri e esqueci de ir pra cova, tenho cara de defunto! Vai ver é por isso que ás vezes penso em suicídio, tenho cara de morta.

Foi a semana derradeira, cansei do meu rosto. Segunda-feira comecei a sair de casa em baixo de lápis de olho e batom. Lápis de olho nas pálpebras inferiores para dizer “Eu tenho olho!” e meus olhos ficarem maiores nas covas onde jazem. O batom é conseqüência, para o conjunto facial não ficar desequilibrado.

Certamente hei de incorporar a nova máscara de modo a não me perguntar quem está no espelho toda manhã. Por hora estranho o que vejo. Estou em baixo desse lápis de olho? Essa aí do espelho ainda sou eu? Sim, é você. Com olhos encovados mas sem rosto de morta. Você está viva. Agora esqueça os espelhos e tenha um bom dia.


P.S.: Palhaços são exagerados por natureza.

sexta-feira, maio 19, 2006

Dessa vez caprichei. Coloquei métrica, esquema de rima... não adiantou muito. Tem alguma coisa que não me agrada e sei que não é seu teor romântico. Ficou boa, mas quanto mais olho menos gosto dessa


CAIXINHA DE MÚSICA

É tão mágico
Enche o olhar
Transborda música
Dá medo de tocar
E quebrar

O espelho refletindo está
Um casal que gira
Sem saber dançar
No mecanismo
Muito sincronismo
Até a corda acabar

É tão lúdico
Esqueço de olhar
Silêncio múltiplo
Cortando o ar
Faz lembrar

Do espelho estilhaço há
O casal não gira
Nem pode girar
No mecanismo
Muito sincronismo
Até a corda quebrar.