Inauguro essa coluna no meu blog,
escrita majoritariamente e finalizada à noite, como terapia de
escrita. Ninguém recomendou, apenas sei que escrever me faz bem.
Publicada apenas aqui no blog, não no Facebook. O motivo para
começar essa coluna foi que meu medo adolescente se tornou realidade
num questionário de entrevista de emprego: tornei-me perfeccionista.
Sei
que sou mais do que um viés psicológico que esses questionários
pré moldados tentam nos enquadrar. Sei que sou mais do que os males
que carrego. E sei que perfeccionistas sofrem ao querem atingir metas
impossíveis. Será que meu último emprego me fez sonhar mais um
sonho impossível e pagar com minha saúde psicológica? Foram apenas
quatro meses.
Não
que eu fosse lá muito saudável psicologicamente antes. Procuro
sempre vigiar minha mente e minha saúde como um todo, tenho minhas
dificuldades de convivência. Nem sempre me preocupo com isso, mas
viemos ao mundo para aprender a amar incondicionalmente. A nós, ao
próximo, ao planeta. Gentileza sempre. Entretanto o que mais faço é
manter distância das pessoas. Se possível me distancio até de mim.
Estudando, cuidando dos animais, dos pais.
Meu
lado perfeccionista vem pela necessidade de controle. Penso que se
fizer a minha parte direito, tudo anda melhor. Poderei esperar bons
resultados e tudo será como o previsto. O mundo é imprevisível, eu
sei. Não segue meus planos. Devemos pedir para estar de acordo com
os planos de Deus, não subordinar as forças superiores aos nossos
caprichos.
Agora
ficou uma dúvida plantada em minha mente: me assumirei
perfeccionista devido a um mísero teste de emprego, depositando
minha confiança nesse sistema frio que me trata como número; ou
aprofundarei minha análise para verificar se apenas estou passando
por um momento estressante que me faz ser mais rigorosa do que o
costume comigo?
Já
passou da hora de crescer e assumir responsabilidades. Não
precisava, mas já adoeci nesse processo. Queda de cabelo localizada.
Tenho que mudar meu pensamento para não me estressar, mudar meu
jeito de encarar a vida. Quarenta dias de tratamento e a falha
capilar aumentou, o médico receitou um corticoide (substância que
pode me cegar com o uso prolongado) e vitaminas. Volto ao
dermatologista daqui quarenta dias.
Será
que essa queda de cabelo é culpa pela rotina que queria seguir e
dificilmente sigo? Tem vídeos no YouTube dizendo que jejum de
dopamina é ótimo para os estudos. Seja infeliz estudando e aprenda
mais. Será que preciso me sacrificar tanto assim? Escolho não me
sacrificar nada. E o cabelo caindo por culpa. Muito sono, fome,
procrastinação. E o cabelo caindo.
Pesquisei
e descobri que perfeccionismo é sintoma de narcisismo. Sim, me
enquadro minimamente nesses parâmetros, não percebo meu real valor,
me sobrestimo. Por isso tantos fracassos e tanta falta de esforço.
Não, não estou me esforçando demais rumo aos meus objetivos.
A
cada dia seus afazeres. Um passo por vez. Quem sabe eu melhore com a
escrita terapêutica. Minhas noites e meus dias se transformem e
sejam mais fluidos e harmônicos, menos arrastados. Será que estou
idealizando demais? Mereço dias harmônicos. Basta “compreender a
marcha e ir tocando em frente”.
Hoje
dormirei certa dos meus pontos a melhorar e pronta para começar a
ser uma nova pessoa a partir de amanhã.