domingo, dezembro 29, 2019

Desafio Armário Cápsula, dezembro de 2019

Fim de ano assistindo vídeos no YouTube pelo celular, eis que conheço a plataforma e projeto Menos Um Lixo, da fluminense Fernanda Cortez. Achei interessante o Desafio Armário Cápsula, assisti toda a playlist.
Gostei. É fim de ano, quer tempo melhor para arrumar o guarda roupa e repensar a vida? Não busquei outras fontes e referências, a playlist foi minha base. Fiquei feliz em encontrar exemplos de armários bem coloridos, adoro cor. Meu guarda roupa é um arco íris bem organizado.
Porém calma, que não entrei com tudo. Não separei as 40 peças, talvez nem chegue nesse número. Não contei sapatos (dos 18 pares que tenho 3 são do uniforme de trabalho porém mal uso porque prefiro sapatilha e sandália rasteira), cintos, xales, cachecóis que passei adiante, chapéus, bolsas, roupas de praia, jalecos de manicure, roupas de peregrinação, roupas de uniforme (além das camisas com logo da empresa, uso calças sociais pretas ou azuis escuras, saias pretas até o joelho, camisas regatas brancas em baixo das camisetas da empresa). Depois de dois dias de limpeza no guarda roupa cheguei a 203 peças. O plano é limpar o armário uma vez por mês, eliminando certo número de peças em cada vez, até chegar a 70 em outubro de 2020.
Aproveitei a ideia de passar adiante o que mal uso e tirei bolsas, capas de chuva, bijuterias – vivo sem, acessórios de cabelo – ultimamente minhas madeixas só conhecem coque, rabo de cavalo e vez ou outra uma trança. 2020 me encontrará organizada e consciente.
Consciente de que sou perfeccionista, por isso tanta organização e generosidade, mais ação e menos reclamação para colocar a própria vida nos eixos. Sei que meu padrão de atitude e desempenho é alto, mas é só meu, aceito porque quero. Dou a quem convive comigo a liberdade de ser da maneira que bem quiser. Se as pessoas não sabem o que é melhor para si é porque não se questionaram o suficiente, não se conhecem.
Adoro me conhecer. Mas não sou o tipo que faz teste aleatório no Facebook, que pega seus dados a troco de frases bonitas. Me conheço tirando um tempinho para refletir cada dia. Convivendo com o próximo no cotidiano, peregrinando nas férias. Cuido da saúde para poder peregrinar, poder caminhar quilômetros e dias a fio.
Nunca fiz uma mala cápsula, dificilmente faço longas viagens de outra forma que não seja peregrinando. Em matéria de roupa, mochila de peregrina é pior do que mala cápsula: você anda com três mudas de roupa e uma camisa extra se quiser ficar elegante nas pousadas onde dorme. Viver com o essencial não é uma experiência nova.
O mundo não vai mudar de tamanho para acumularmos sempre mais coisas, meu quarto também não muda, os móveis que ficam nele já guardam bastante coisa. Guardam coisa até demais, sei que posso viver com menos itens e aproveitar mais a vida.
Não fiquei com as 70 peças logo de cara porque não sou tão ligada em roupa pra memorizar quais uso mais. Trabalho de uniforme, aos sábados sou manicure voluntária num asilo, frequento academia durante a semana. O que mais uso é legging e camiseta de algodão no tempo livre. Dificilmente saio, mas gosto de programas diurnos: trilhas, parques, museus. Cinema, teatro, show, barzinho, são lugares que dificilmente me interessam. Lugar pra conversar e se distrair pra mim é cafeteria, sorveteria, museu, centro cultural ou parque. Porém dificilmente saio, mesmo para ir nesses lugares que gosto. Incrivelmente está tudo bem, não reclamo da minha vida cultural e social diminuta. O problema é que ao analisar a vida que levo não me senti com base para reduzir drasticamente meu guarda roupa.
Com o passar do tempo pretendo fotografar meus looks e descobrir o que uso mais. As cores que ficam bem com minha pele sei desde 2017, quando fui modelo numa aula de maquiagem de um amigo professor. Com base nisso já limei muito bege, amarelo claro e tons pastéis do guarda roupa. Adoro cor, depois das aulas passei a usar e abusar delas na maquiagem, usando tons nude (os bons e velhos tons de pele) só quando tenho pressa ou quero uma cara de nasci linda.
Voltando ao guarda roupa arco íris, nele não entra decote nadador (a exceção é um vestido longo azul), alcinha, decotes profundos, frente única, saias e vestidos muito curtos.
Agora a dúvida é: qual mensagem quero passar com minhas roupas além de alegria e simplicidade? Tenho até mês que vem para descobrir e com essa informação limpar meu guarda roupa.
Por enquanto deixo aqui fotos da primeira grande limpeza e ponto de partida do desafio armário cápsula: meu guarda roupa com 203 peças. Tempos atrás estaria satisfeita com a limpeza de fim de ano. Agora a transformação apenas começou.
E você? Quer ser uma nova pessoa em 2020 aproveitando só o que trouxe de bom até 2019? Esse é o grande desafio do armário cápsula.






sexta-feira, outubro 18, 2019

São Paulo

Hoje foi dia de voltar para casa no ônibus das 7h30.
Por volta das 6h um grupo de ciclistas passou no albergue e pegou as credenciais com seu Almiro, que abre a pousada 5h30 e fica até 7h30.
Qual foi minha surpresa em ler o cartaz na parede homenageando seu Almiro pela idealização do Caminho da Fé em 2013, quando a rota completou 10 anos. Foi um presente maravilhoso tomar café (hoje não caminho, então posso beber) com seu Almiro. Falei dos pontos positivos e negativos do percurso com a pessoa certa.
Ele contou que fui em baixa temporada e ainda escolhi um ramal que falta com as contribuições para a Associação de Amigos do Caminho da Fé, por isso os problemas na sinalização. Os meses mais movimentados são Janeiro e Julho.
De lembrança de Águas da Prata levo água da fonte municipal, meio quilo de Café Pratense e bolacha de goiabada. Caminhei 90 quilômetros para deixar um terço quebrado no Caminho da Fé e voltar com água, café e bolacha. Isso sem contar o pão de leite ninho que comprei a título de café da manhã e lanche de viagem.
Tem maluco pra tudo nesse mundo, e é de mais malucos como seu Almiro, Diego e os ciclistas das 6h de que o mundo precisa.

quinta-feira, outubro 17, 2019

Águas da Prata

O nome do único peregrino que encontrei ontem na pousada é Diego. Percorre o Caminho da Fé pela quarta vez, nessa saiu de Tambaú há dois dias e hoje caminha até Andradas. Ele hoje faz 45 quilômetros, eu caminhei 18 e parei em Águas da Prata. Consegui vê-lo até o primeiro morro, depois voltei a sentir a boa companhia de sempre: Deus, Nossa Senhora e meu anjo da guarda.
Notei que Diego caminhava com um terço na mão. Enquanto eu agradecia em pensamento a Nossa Senhora e meu anjo da guarda em cada sinal do percurso. Quando via animais pensava em São Francisco.
A paisagem é mesmo muito bonita, um paredão verde que você desce. A trilha está entre os quilômetros 324 e 322, mas parece durar uma eternidade. Tem duas porteiras, e numa delas demorei cinco longos minutos para abrir e fechar de tão justa que estava a corrente. Falando em porteira, a última do percurso era bem engenhosa: uma madeira unindo os dois lados. Quando passei um lado se abriu por completo e usei meu cajado para segurar o outro lado enquanto pegava o aberto e assim conseguir fechar.
Cheguei na Pousada do Peregrino pouco depois do meio dia. Diego passou lá mais cedo e avisou que uma moça estava uns 9 quilômetros atrás.
A igreja em Águas da Prata não tem lugar para acender vela. Deixei no altar de Nossa Senhora Aparecida o que sobrou do terço que trouxe pendurado na mochila e arrebentou numa das porteiras do caminho, perdendo a medalha de São Bento. Deixei o terço e orações de agradecimento a todos que me acompanharam nessa jornada. Amanhã volto para casa, mas a próxima etapa do Caminho da Fé farei de Águas da Prata até Aparecida, antes de chegar a Santiago de Compostela.
Essa viagem foi um belo aprendizado, onde fortaleci minha fé e superei medos que nem imaginava existir. A missão foi cumprida. Agradeço a companhia e ajuda de todos.

quarta-feira, outubro 16, 2019

São Roque da Fartura, Águas da Prata

A foto de hoje é uma amostra da maioria da paisagem que tenho encontrado. Esse local específico é zona rural de São Sebastião da Grama.
Terceiro dia de caminhada saí mais conformada. O café da manhã é servido sempre depois das 6, não tem como sair antes. A previsão é chegar 2 ou 3 da tarde na próxima pousada fazendo no meu ritmo de 4 Km por hora. Em outras peregrinações posso ter sido mais rápida, nessa primavera de 32 graus essa é a velocidade que consigo.
Saí 7h13 de São Sebastião da Grama, cheguei em São Roque da Fartura, bairro de Águas da Prata, às 13h50.
Se não me engano foram 3 trechos de asfalto. Nessas horas a gente caminha no sentido contrário aos carros. Tomei lanche debaixo do sol, pouco antes de uma curva, pouco depois do quilômetro 344. Fazia 4 horas estava caminhando. Decidi reabastecer minha garrafa da mochila e cantil na primeira oportunidade. Uma fábrica de câmaras de ar na beira da estrada pouco mais a frente foi onde entrei e enchi a cara d’água. Mais adiante veio o quilômetro 342 voltando para a estrada de terra. Pouco depois do quilômetro 388 encontro a primeira oferta de água no caminho. Seu Benedito Correa deixou uma torneira na placa ao lado de seu sítio, com um banco perto e sombra. O que ele deve receber de bençãos não está escrito. Pouco depois a estrada de terra acaba em cima de um morro e logo se avista a placa de divisa de município de Águas da Prata. Nesse retorno ao asfalto um homem na caminhonete parou e me ofertou água. Enchi meu cantil novamente, mesmo faltando menos de 2 quilômetros para a Pousada Paina.
A pousada fica na beira da estrada de asfalto, na direita, poucos metros depois do quilômetro 336. Cheguei sem erro. Ela também é ponto de parada para quem vem de Vargem Grande do Sul, que faz parte do ramal de Tambaú. Os donos Félix e Clair contaram que o caminho de Vargem Grande tem muito mais morro. Escolhi o ramal mais suave! Que benção!
Seu Félix tem um bom papo, ele e Clair percorreram o ramal de Tambaú em 2012, dona Clair com duas pontes de safena. Disseram que os peregrinos não têm hora para chegar. Ontem chegaram alguns 21h30, eu cheguei hoje 13h50, 17h chegou outro, nem sei seu nome ainda.
Amanhã terei mais companhia até Águas da Prata. Resta saber se ele topa tomar café da manhã 6h30.
No mais, vesti mal uma luva e o sol me brindou com uma pulseira vermelha. Minha mochila está desbotando de tanto sol que pega, o par de botas começou a descolar a biqueira depois de quatro anos de uso.