segunda-feira, novembro 17, 2008

CARA ESTRANHO
(Marcelo Camelo)

Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
No corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
Não mede a força que já tem
Exibe à frente o coração
Que não divide com ninguém
Tem tudo sempre às suas mãos
Mas leva a cruz um pouco além
Talhando feito um artesão
A imagem de um rapaz de bem

Olha ali quem tá pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
Se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber
Que foge sempre do lugar
Deixando o ódio se esconder
Talvez se nunca mais tentar
Viver o cara da TV
Que vence a briga sem suar
E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
Dizer ao mundo todo
Que só conhece o seu quinhão ruim
É simples desse jeito
Quando se encolhe o peito
E finge não haver competição
É a solução de quem não quer
Perder aquilo que já tem
E fecha a mão pro que há de vir



PARA O CARA ESTRANHO
(ou VOCÊ NÃO SINCRONIZA)

Você que é tão ímpar
que não encontra par
me diz a sensação
de não sincronizar

Acha que ficar boiando
é o mesmo que nadar?
Sua devoção clemente
vai um dia lhe afogar
sua obediência paciente
serve pra lhe aprisionar

Se aprendeu no caminho
que é fácil andar sozinho,
poha logo o pé na estrada
e esqueça de me chamar:
você vive muito longe
e adora se protelar

Você nunca sincroniza
quando tenta acompanhar
não sabe que não precisa
de muleta para andar.

Obs.: Escrevi essa poesia há mais de dois anos. Até agora ninguém leu.

domingo, novembro 16, 2008

ANDO TÃO À FLOR DA PELE...

Preciso assistir "Cidade dos Anjos" ou vou chorar por qualquer motivo mais banal do que filme água com açúcar. "Cidade dos Anjos" não é água com açúcar, é apenas o melhor dos dois filmes que me provovam choro sempre que assisto.
O.O
Absurdamente sinto uma necessidade física de chorar.

... QUE QUALQUER BEIJO DE NOVELA ME FAZ CHORAR

quinta-feira, novembro 06, 2008

DEPOIS DE UM MÊS SEM NOTÍCIAS...

Eis que retorno com a má notícia: mudei de sala, não há mais Ipê e papagaios na janela. Era tão bonito! Periquitos, Maritacas e Papagaios apareciam para comer sementes do Ipê. Cada bando num horário ou num determinado dia da semana.

A boa nova: limpei o canteiro dos sítios vizinhos. As fronteiras do meu campo de abobrinhas diminuiram, porém ficaram mais sólidas e realistas.



EU ACHO que o mundo vai acabar, porque o novo presidente dos Estados Unidos é negro. O livro do Apocalipse falava de um Papa negro como início das mudanças, num tempo em que a igreja mandava em tudo. Quem manda no mundo hoje?? Pois então... o mundo pode acabar, mesmo o manda-chuva do pedaço sendo contra a guerra.

Isso lembra a contra-capa de "Belas Maldições", livro que Neil Gaiman escreveu com outro autor. No livro o anticristo é um garotinho de 11 anos que ama a natureza e adora cuidar de seu cachorro, que na verdade é uma besta infernal. Quem se atreve a matar um anticristo assim? E POR QUE AINDA NÃO TENHO NENHUM LIVRO DO NEIL GAIMAN?!

Voltanto ao fim do mundo, é preciso apenas uma bomba xinfrim em qualquer parte do planeta pra detonar de vez nossa bola azul. Como a natureza está indo pro vinagre, talvez nem seja necessário tanta potência quanto calculava-se antes. Mas também podemos presenciar a fúria da natura, mas nesse caso o mundo não acabaria só seria limpo por catástrofres. Mas o livro bíblico do Apocalipse não sugere exatamente uma limpeza do que há de ruim? INEVILTAVELMENTE, O FIM ESTÁ PRÓXIMO. Daqui a alguns minutos acaba o dia.

;-)
Descansem em paz.

segunda-feira, setembro 15, 2008

SOBRE A QUEDA DE PRODUÇÃO DE ABOBRINHAS VERDES

No tempo vago contemplo a janela. - QUE JANELA! Antiga, grande, com uma árvore ao lado.

O ipê lá fora está indeciso. Terminou a semana quase pelado, hoje voltou com mais flores. Os passarinhos agadecem, dão o ar da graça toda manhã.

Beija-flor, periquito, bem-te-vi, sabiá laranjeira, sanhaço, pardal e o célebre e feio POMBO PAULISTA. Esse último não fica no ipê, prefere o telhado da casa ao lado. Não vejo mais urubus, vejo mendigos duas vezes ao dia.

Vejo vitrines, vejo a moda que não me encanta, os poucos livros do caminho não me páram, vejo maquiagens, sapatos, bolsas e tapioca. Tapioca é bom, embora tudo seja completamente dispensável. O bom e velho Centro é bonito! Vejo restos do passado, lugares cheios de história. De tudo gosto de mais de olhar o ipê amarelo. Vivinho alí ao lado. No tempo vago contemplo a janela.