mas tem coisa que se a gente que é pombo não fala, ninguém fala.”
Com esse bordão o pombo paulista encerrava o comercial da Eletropaulo nos idos de 2000.
Era uma campanha que retratava as coisas erradas que cidadãos comuns fazem no dia a dia, e porquê eles praticam esses atos contrários a cidadania. Gritar no trânsito e jogar lixo na rua eram exemplo de ações focadas pelos comerciais. Tudo observado pelo pombo paulista.
O pombo, esse animal praga que suja a cidade, sabe que não é a melhor das criaturas para dar lição de moral, além disso compreende os motivos que levam os cidadãos a cometer pequenos delitos, por isso sempre diz que “Nem fica bem falar”. Ele está no meio da cidade suja e desorganizada que observa, não é um observador limpo, apesar de simples. Justifica sua crítica comentando que “tem coisa que se a gente que é pombo não fala, ninguém fala”.
Os políticos de hoje em dia envolvidos em escândalos são como o pombo paulista. Não possuem boa reputação entre o povo mas denunciam porque “se agente que é pombo não fala, ninguém fala”. O pombo ao menos é um animal simplório e comum, coisa que o político dificilmente é. Mas a função deles é observar a sociedade e propor soluções para os problemas que ela enfrenta, parecido com o que o pombo fazia nos comerciais, embora o bicho não propussesse nenhuma solução mirabolante: simplesmente deixar de praticar atos contra a cidadania.
A questão que fica: será que os políticos, moralmente sujos e mal afamados como o pombo paulista, conseguem limpar o ambiente em que vivem? Mesmo depois do comercial os pombos continuam poluindo e espalhando doença.
sábado, dezembro 12, 2015
sábado, dezembro 05, 2015
Não perco tempo
Não perco tempo
aos escravos da produtividade um alento
não perco tempo
trato ele com apreço
ele é tão precioso que não tem preço
muitas vezes é intuitivo
não precisa ser produtivo
pra que eu diga que não perdi
que não gastei em vão
esse tipo de sensação comigo não
não pega não
tempo é dimensão
posso perder trabalho
fazer coisas mais que fúteis
grandes ações inúteis
mas vida e tempo não mesmo
não são coisas que me escapam entre os dedos
tempo eu ganho até morrer
a cada amanhecer
e se me concentro em cada minuto que viver
dessa forma nenhum tempo hei de perder
escravos da produtividade
que precisam sempre de ação
não sabem o que é contemplação
toda vez que encontram contrariação
dizem que gastam seu tempo em vão
comigo não, meu tempo é dimensão
como altura, largura e profundidade
de maneira exata meço a idade
esqueço os números e vivo na eternidade
digo amém pro que vem
e faço por merecer
minha vida, meu tempo
nunca hei de perder.
aos escravos da produtividade um alento
não perco tempo
trato ele com apreço
ele é tão precioso que não tem preço
muitas vezes é intuitivo
não precisa ser produtivo
pra que eu diga que não perdi
que não gastei em vão
esse tipo de sensação comigo não
não pega não
tempo é dimensão
posso perder trabalho
fazer coisas mais que fúteis
grandes ações inúteis
mas vida e tempo não mesmo
não são coisas que me escapam entre os dedos
tempo eu ganho até morrer
a cada amanhecer
e se me concentro em cada minuto que viver
dessa forma nenhum tempo hei de perder
escravos da produtividade
que precisam sempre de ação
não sabem o que é contemplação
toda vez que encontram contrariação
dizem que gastam seu tempo em vão
comigo não, meu tempo é dimensão
como altura, largura e profundidade
de maneira exata meço a idade
esqueço os números e vivo na eternidade
digo amém pro que vem
e faço por merecer
minha vida, meu tempo
nunca hei de perder.
sábado, novembro 28, 2015
O LIVRO DA VEZ É Livro de Mágoas, de Florbela Espanca
Livro de Mágoas foi o primeiro livro que Florbela Espanca publicou, ótimo para conhecer o estilo da poetisa. Contém sonetos sobre mágoas, não explica de onde ou porquê elas vêm, apenas registra a tristesa de uma jovem de 23 anos que se acha velha. Ela não sofre pelo mundo, sofre por si mesma. Você não encontra um retrato do país ou do tempo em que ela viveu, as poesias registram apenas os sentimentos que ela teve. Devido a esse enfoque íntimo de suas poesias, as Mágoas de Florbela Espanca sobrevivem ao tempo e inspiram muitas pessoas.
sábado, novembro 21, 2015
O LIVRO DA VEZ É Mundo de Tinta, de Cornelia Funke
Pequeno livro de contos para ler depois da trilogia (Coração de Tinta, Sangue de Tinta, Morte de Tinta). Dois contos mostram o que aconteceu com os personagens após a última história, um conto explica a origem da trama: como surgiram os línguas encantadas. Um convite para cada imaginar como continua a vida dos personagens. Início de um novo livro ou apenas histórias que ficaram fora do último para que ele não tivesse um final tão aberto? No fundo são contos que podem estimular fanfics.
No prefácio a autora conta que a intenção inicial era escrever apenas UM livro, não uma série. Acabou por escrever três livros e três contos. Segundo ela o universo de A Maldição da Pedra, que narra a história de Reckless, é parecido - uma boa pedida para quem gostou de seu estilo.
No prefácio a autora conta que a intenção inicial era escrever apenas UM livro, não uma série. Acabou por escrever três livros e três contos. Segundo ela o universo de A Maldição da Pedra, que narra a história de Reckless, é parecido - uma boa pedida para quem gostou de seu estilo.
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