domingo, janeiro 20, 2013

São Paulo é um amor

Não trocaria meu monstrinho de concreto
aqui fui plantada, aqui vegeto
acolhe todos e expulsa ao mesmo tempo
nessa contradição podemos supor
que São Paulo é um amor

Avenida Paulista parece sonho
grande, imponente
empipocada de gente diferente
acolhe quem passa, não quem pára
porque quem pára repara
que tudo aquilo não é pra todo dia
não é pra todo mundo
ali a vida é bacana pra quem tem grana
sim, há lugares onde não pagamos um tostão
são poucos, são exceção
porque o monstrinho é contradição
nisso podemos supor
que São Paulo é um amor

O velho centro sempre sombrio
de ruas tortuosamente estreitas
de calçadas a todo tempo sendo refeitas
esconde lugares mais em conta
expõe histórias que ninguém conta
a gente torce o nariz, acha estranho
tudo que o lugar precisa é um bom banho
talvez essa sujeira seja proposital
pra limpar o lugar quando a semana chega ao final
pra ninguém supor
que aquilo vira cidadezinha do interior
por dois dias muda-se o valor
e São Paulo vira um amor

A periferia se esguela
entre cortiços, bairros calmos e favela
abriga todo tipo de sonho:
riqueza, paz de espírito, realização
gente que vive no céu, outros só olham pro chão
quem faz a cidade de verdade
ser nosso monstrinho concreto de contradição
quem sofre e briga todo dia peo próprio pão
essa gente muda, que se desculpa quando mal se esbarra na calçada
e briga feito cachorro ás seis horas numa auto pista apinada
gente amada e condenada
pela contraditória cidade estrada.



P.S.: Poesia escrita aos 15 anos, quando descobria a cidade.

sábado, dezembro 22, 2012

Colombina Desmascarada

“Quanto riso, oh, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor...”


Aquele Pierrô que me abraçou e me beijou sumiu depois do carnaval, não deixou notícias. Deixou uma palhaça doentemente triste sem seus versos, sua música, seus beijos e abraços.

Sozinha e revoltada, ao invés de procurar os braços do outrora infeliz Arlequim, procurei os estúdios de uma revista masculina. Resolvi posar sem máscara, usando só protetor solar. Grandes revistas me recusaram, mas enfim a mais chinfrim me aceitou. Ao entrar no estúdio tive um choque - não deixaram usar protetor, apenas Photoshop. Colocaram uma bunduda qualquer na capa e me jogaram no meio.

Faz anos foi publicada, hoje a revista não vale quase nada. O fato é que me vinguei do desprezo do Pierrô: desde então qualquer um que compre a revista pode me ter nas mãos e espancar o palhaço.


“Na mesma máscara negra
que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval”
Máscara Negra, marchinha de carnaval

sexta-feira, novembro 30, 2012

Veia Suicida

Minha veia suicida tá a mil por hora
Não quer que eu veja o sol lá fora

Minha veia suicida não tem segredo
Ela parte da loucura
Ironizando o medo

Minha veia suicida não tem saída
Despedaça meu rosto
Despreza minha vida

Minha veia suicida sempre me traz muita sorte
Um pouco de tortura e sangue
Muito de morte

Pode pulsar no seu querer
Pode pulsar e me fazer sofrer
Pode pulsar pode explodir
Pode pulsar se conseguir.